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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A despedida dos Pink Floyd


     No passado dia dez de novembro foi editado o novo (e último) disco dos Pink Floyd. O anúncio do lançamento do décimo quinto trabalho da banda britânica surpreendeu os fãs, numa altura em que (quase) ninguém acreditava num sucessor do The Division Bell.
     Em forma de homenagem a Richard Wright, teclista e co-fundador da banda, falecido em 2008, David Gilmour e Nick Manson juntaram-se e editaram The Endless River.
     O disco não é mais do que uma coleção de sobras das composições feitas em The Division Bell. Sobras essas que se percebe facilmente porque ficaram de fora, em 1994.
     Quem ouve o álbum, nota que é um trabalho muito inferior àquilo a que os Pink Floyd nos habituaram. 
     As três primeiras faixas soam a qualquer coisa já ouvida anteriormente, são pouco originais e muito monótonas. Na minha opinião, o momento mais alto do disco passa-se na sequência Allons-y (1), Autumn'68 (homenagem a Summer '68) e Allons-y (2). Em Louder Than Words, a única faixa cantada no álbum, encontramos pequenas semelhanças com Hey You.
     Em Portugal, foi um disco bem recebido, uma vez que, logo na primeira semana se venderam mais de 5 mil exemplares, conseguindo o primeiro lugar na tabela de vendas.
     The Endless River é uma carta de despedida dispensável mas que consegue ser recompensadora quando se volta a ver os Pink Floyd no topo, vinte anos depois. É um trabalho mediano de uma banda que, durante toda a carreira, nos habituou a discos de elevadíssimo nível. 
     
     

sábado, 15 de novembro de 2014

A viagem espacial de José Cid


    Quando nos falam em José Cid, a primeira coisa que nos vem à cabeça são músicas sobre macacos, bananas ou sobre aquela cabana junto à praia. E quando nos dizem que o José Cid tem um dos melhores álbuns de rock progressivo do mundo, não queremos acreditar.
     Mas é verdade. Estávamos em maio de 1978 quando 10000 Anos Depois Entre Vénus E Marte foi lançado. O álbum foi quase ignorado nesse período, muito por consequência da força que o punk ganhava nessa altura e que o prog rock ia perdendo.
     A produção do álbum começou quando José Cid se decidiu juntar a Mike Sergeant, Zé Nabo e Ramón Galarza para gravar um disco que apresenta evidentes influências dos Pink Floyd e dos Moody Blues. Em 10000 Anos conseguimos ouvir um desfile de instrumentos de teclas. Cid tocava vários teclados, dos quais se destaca o Mellotron, que conferia ao álbum um som espacial e intenso, juntamente com um belo som de guitarra. Era uma coisa nunca antes ouvida em Portugal.
     Todas as oito faixas do álbum contam uma história: um homem e uma mulher conseguem fugir do planeta Terra, depois de este se auto-destruir, e encontram um novo planeta para viver. Dez mil anos depois, regressam à Terra com o objetivo de a repovoar.


     Ignorado em território nacional, levou o músico a lançar-se noutros caminhos mais acarinhados pelo povo português. Porém, em 1994, despertou o interesse de uma editora norte-americana - Art Sublime -, que propôs reeditar o álbum e incluir ainda Vida (Sons Do Quotidiano) como faixa-bonús.
     Só a partir do ano de 2000 é que o disco ganha uma maior notoriedade, com a descoberta do mesmo por parte de fãs de novas gerações e de vários músicos, que apreciavam este registo musical.
     A reação da imprensa também ajudou à propaganda deste trabalho, com revistas como a Q e a Billboard a avaliarem-no como um dos melhores cem discos de prog rock do mundo e de todos os tempos.
     Como o álbum teve um número limitado de cópias, torna-se muito difícil encontrá-lo à venda e, em sites de compras online, como o e-Bay, chega a atingir valores superiores a cem euros.
     Inúmeras bandas tomam o 10000 Anos como referência, como é o caso dos Capitão Fausto, que até possuem uma música chamada ZéCid, em homenagem ao próprio. 
     Apesar de só ter alcançado o reconhecimento merecido muitos anos mais tarde, o trabalho de José Cid ganha fãs nos quatro cantos do mundo a cada dia que passa, encantados com o música de um álbum que, mesmo tendo sido gravado há mais de trinta anos, é dotado de uma qualidade que o torna intemporal.